sexta-feira, 4 de maio de 2012

Notas sobre a gestalt


Notas sobre a Gestalt

Esta escola nasce na Alemanha, reagindo à psicologia que se detinha em estudar os reflexos, sensações e outros elementos que pretendiam ser unidades simples da realidade psíquica total. Essa escola valida o conjunto de uma experiência, enfatizando o todo. Afirma que a totalidade de uma experiência é mais importante que as partes que a compõem. Também sustenta que o estudo isolado das sensações, reflexos e outros elementos considerados simples não captam a realidade da vida psíquica tal como ela é. Um exemplo é que, ao se ouvir uma sinfonia, capta-se a composição musical, não tanto porque se ouve individualmente as notas que a compõem e sim pela estrutura que essa peça musical possui, colocando cada nota em relação específica com as outras. Mesmo sendo alterada a clave da peça musical (mais alta ou mais baixa), distinguindo todas as suas notas, ainda assim será reconhecida sua composição.

Também chamada da psicologia da forma, tem no seu corpo teórico bastante coesão e consistência, possuindo tanto teoria como base metodológica muito bem estruturada. O objeto de pesquisa da Gestalt também segue a mensuração com a psicofísica.

Os primeiros a contribuir forma o filósofo e psicólogo Ehrenfels e o físico Mach, ambos trabalhando com o estudo das sensações, de espaço-forma e tempo-forma, respectivamente dados psicológicos e físicos. No entanto, quem formula por meio dos estudos psicofísicos as bases de uma teoria psicológica são Wertheimer, Kohler e Koffka, que, preocupados com a ilusão de óptica, queriam descobrir quais processos psicológicos nele estavam envolvidos. As várias sobreposições de imagens de uma fita cinematográfica, por exemplo, dão sensação de movimento a algo que é estático.

A percepção é outro tema da Teoria da Gestalt. Ela possui o mesmo objeto de estudo dos behavioristas, o comportamento, mas o entende de modo mais amplo, considerando o contexto que altera a percepção do estímulo. Para a Gestalt, entre o estímulo fornecido pelo meio e a resposta do sujeito existe um processo chamado percepção. Os behavioristas, com o seu rigor de mensuração e por não conseguirem controlar todas as variáveis, isolam o estímulo correspondente à resposta esperada, acabando por eliminar conteúdos de consciência.

A pessoa capta a forma pelo todo e não pelas partes. E é por meio do estudo da percepção que a Gestalt compreende o comportamento humano, entendendo que o modo como o sujeito percebe um estímulo desencadeará seu comportamento. É como se entende o ambiente em que se atua. Portanto, há uma sujeição chamada lei da boa forma. Para alcançar a boa forma, há que ter simetria, equilíbrio, estabilidade e simplicidade. O objeto que se irá apreender deve conter esses elementos para que a percepção da boa forma ocorra. Assim, ocorre um embasamento no isomorfismo (teoria que supunha unidade no universo, com a parte relacionando-se com o todo).

Os gestaltistas, com sua visão de todo, denominam meio ou meio ambiental ao conjunto de estímulos que irão determinar o comportamento, existindo dois meios: o comportamental e o geográfico. O primeiro é o resultado da interpretação (percepção da boa forma) e da interação do sujeito com o meio físico, sendo sua realidade subjetiva (particular criada pela mente). O segundo é o meio físico em termos objetivos.

A visão da Gestalt acerca da aprendizagem difere das visões associacionista e behaviorista, que acreditam que a aprendizagem se dá por associação de elementos mais simples para os mais complexos. Na Gestalt, a aprendizagem é vista como a relação entre o todo e as partes, com ênfase no todo para a compreensão do objeto percebido.

A Gestalt nomeia de insight (compreensão instantânea) o entendimento interno significando a percepção das relações entre elementos de uma situação-problema, ou seja, solucionar um problema pela percepção das relações entre todos os elementos importantes da situação. O insight é um tipo de pensamento relacional percebendo a organização ou estrutura de algo.

Além disto, estabeleceu um conceito figura-fundo que evidencia que aprendemos a ler não com a junção das letras, tmas significando o todo e que no processo de aprendizagem nem sempre se consegue distinguir figura e fundo, dificultando dessa forma a percepção todo/parte.

Outro autor que parte da Gestalt e desenvolve uma teoria chamada Teoria de Campo é Lewin, embasando sua metodologia psicológica na Física. Ele acrescenta a soma dos fatos que coexistem e são mutuamente interdependentes além do indivíduo e meio como campo psicológico (espaço de vida dinâmico), que é compreendido como uma realidade fenomenológica e não apenas física, englobando todos os elementos de subjetividade como sonhos, temores, aspectos conscientes e inconscientes, etc. como parte deste campo.
Lewin parte da mesma visão da Gestalt da interpretação que o sujeito faz do meio, no entanto expande para além da visão da percepção agregando aspectos de personalidade, componentes emocionais ligados à situação de vida ou ao meio, o passado ligado a tais situações sendo representadas no espaço de vida do sujeito.

Referência
PINHEIRO, C M. Psicologia Elementar. Curitiba: IESDE Brasil, 2011.

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