Notas
sobre a Gestalt
Esta
escola nasce na Alemanha, reagindo à psicologia que se detinha
em estudar os reflexos, sensações e outros elementos
que pretendiam ser unidades simples da realidade psíquica
total. Essa escola valida o conjunto de uma experiência,
enfatizando o todo. Afirma que a totalidade de uma experiência
é mais importante que as partes que a compõem. Também
sustenta que o estudo isolado das sensações, reflexos e
outros elementos considerados simples não captam a realidade
da vida psíquica tal como ela é. Um exemplo é
que, ao se ouvir uma sinfonia, capta-se a composição
musical, não tanto porque se ouve individualmente as notas que
a compõem e sim pela estrutura que essa peça musical
possui, colocando cada nota em relação específica
com as outras. Mesmo sendo alterada a clave da peça musical
(mais alta ou mais baixa), distinguindo todas as suas notas, ainda
assim será reconhecida sua composição.
Também
chamada da psicologia da forma, tem no seu corpo teórico
bastante coesão e consistência, possuindo tanto teoria
como base metodológica muito bem estruturada. O objeto de
pesquisa da Gestalt também segue a mensuração
com a psicofísica.
Os
primeiros a contribuir forma o filósofo e psicólogo
Ehrenfels e o físico Mach, ambos trabalhando com o estudo das
sensações, de espaço-forma e tempo-forma,
respectivamente dados psicológicos e físicos. No
entanto, quem formula por meio dos estudos psicofísicos as
bases de uma teoria psicológica são Wertheimer, Kohler
e Koffka, que, preocupados com a ilusão de óptica,
queriam descobrir quais processos psicológicos nele estavam
envolvidos. As várias sobreposições de imagens
de uma fita cinematográfica, por exemplo, dão sensação
de movimento a algo que é estático.
A
percepção é outro tema da Teoria da Gestalt. Ela
possui o mesmo objeto de estudo dos behavioristas, o comportamento,
mas o entende de modo mais amplo, considerando o contexto que altera
a percepção do estímulo. Para a Gestalt, entre o
estímulo fornecido pelo meio e a resposta do sujeito existe um
processo chamado percepção. Os behavioristas, com o seu
rigor de mensuração e por não conseguirem
controlar todas as variáveis, isolam o estímulo
correspondente à resposta esperada, acabando por eliminar
conteúdos de consciência.
A
pessoa capta a forma pelo todo e não pelas partes. E é
por meio do estudo da percepção que a Gestalt
compreende o comportamento humano, entendendo que o modo como o
sujeito percebe um estímulo desencadeará seu
comportamento. É como se entende o ambiente em que se atua.
Portanto, há uma sujeição chamada lei da boa
forma. Para alcançar a boa forma, há que ter simetria,
equilíbrio, estabilidade e simplicidade. O objeto que se irá
apreender deve conter esses elementos para que a percepção
da boa forma ocorra. Assim, ocorre um embasamento no isomorfismo
(teoria que supunha unidade no universo, com a parte relacionando-se
com o todo).
Os
gestaltistas, com sua visão de todo, denominam meio ou meio
ambiental ao conjunto de estímulos que irão determinar
o comportamento, existindo dois meios: o comportamental e o
geográfico. O primeiro é o resultado da interpretação
(percepção da boa forma) e da interação
do sujeito com o meio físico, sendo sua realidade subjetiva
(particular criada pela mente). O segundo é o meio físico
em termos objetivos.
A
visão da Gestalt acerca da aprendizagem difere das visões
associacionista e behaviorista, que acreditam que a aprendizagem se
dá por associação de elementos mais simples para
os mais complexos. Na Gestalt, a aprendizagem é vista como a
relação entre o todo e as partes, com ênfase no
todo para a compreensão do objeto percebido.
A
Gestalt nomeia de insight (compreensão instantânea) o
entendimento interno significando a percepção das
relações entre elementos de uma situação-problema,
ou seja, solucionar um problema pela percepção das
relações entre todos os elementos importantes da
situação. O insight é um tipo de pensamento
relacional percebendo a organização ou estrutura de
algo.
Além
disto, estabeleceu um conceito figura-fundo que evidencia que
aprendemos a ler não com a junção das letras,
tmas significando o todo e que no processo de aprendizagem nem sempre
se consegue distinguir figura e fundo, dificultando dessa forma a
percepção todo/parte.
Outro
autor que parte da Gestalt e desenvolve uma teoria chamada Teoria de
Campo é Lewin, embasando sua metodologia psicológica na
Física. Ele acrescenta a soma dos fatos que coexistem e são
mutuamente interdependentes além do indivíduo e meio
como campo psicológico (espaço de vida dinâmico),
que é compreendido como uma realidade fenomenológica e
não apenas física, englobando todos os elementos de
subjetividade como sonhos, temores, aspectos conscientes e
inconscientes, etc. como parte deste campo.
Lewin
parte da mesma visão da Gestalt da interpretação
que o sujeito faz do meio, no entanto expande para além da
visão da percepção agregando aspectos de
personalidade, componentes emocionais ligados à situação
de vida ou ao meio, o passado ligado a tais situações
sendo representadas no espaço de vida do sujeito.
Referência
PINHEIRO,
C M. Psicologia Elementar. Curitiba: IESDE Brasil, 2011.
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