segunda-feira, 7 de maio de 2012

Teoria Ator-rede


Teoria Ator- Rede

A teoria Ator-Rede[i] nasceu na sociologia da ciência e da tecnologia e tem como argumento que o conhecimento é um produto social, gerado através da operação ou do efeito de uma rede de materiais heterogêneos. O “conhecimento” é a tradução da justaposição de elementos heterogêneos que são organizados e ordenados. Consideram-se como elementos heterogêneos padrões de diversos materiais e não apenas humanos assim tubos de ensaio, reagentes, artigos, mãos habilidosas, outros cientistas, terminais de computador, dentre outros – são justapostos numa rede heterogênea e corporificados em várias formas de materiais.

A concepção “Ator-rede” refere-se à interação de elementos humanos e não humanos como também o argumento de que cada ator (humano ou não humano) também é uma rede. Por exemplo, uma máquina é uma rede heterogênea formada por um conjunto de papeis desempenhados por materiais técnicos e por componentes humanos tais como, operadores, usuários e mantenedores.
Um ator é sempre uma rede e uma organização, ou seja, é uma consequência, ou efeito de uma rede heterogênea. Trata-se de uma sociologia relacional e orientada a processos a qual trata agentes, organizações e máquinas como efeitos interativos. Agentes humanos e não humanos se relacionam em um movimento de continuidade e não de dualismo.
Do ponto de vista metodológico a única maneira de compreender a realidade dos estudos científicos, ou de uma organização é acompanhar atores em ação. Para isso, é preciso prestar atenção aos detalhes das práticas realizadas e a forma como são ordenadas e agrupadas.
Em relação à prática científica para a teoria ator-rede,

“A ciência é um processo de engenharia heterogêneo no qual elementos do social, do técnico, do conceitual e do textual são justapostos e convertidos para um conjunto de produtos científicos”. (LAW, 2003)

No livro “A Esperança de Pandora”, LATOUR apresenta elementos da interação que ocorre na construção de um objeto ou fato científico, a saber: mobilização do mundo, autonomização, alianças e a dimensão da representação pública. (LATOUR, 2001).
A de mobilização do mundo, o cientista faz com a utilização de instrumentos, equipamentos (amostras, medidas, tipos, reações, agentes, informações do mundo circundante). Atrelado a este, a autonomização na qual o cientista encontra seus colegas, e trata do modo pela qual uma disciplina, uma profissão ou um grupo de pesquisa se torna independente e engendra seus próprios critérios de avaliação e relevância, trata-se da estruturação de uma comunidade científica. Neste sentido, as alianças apresentam-se como elemento importante na constituição do objeto ou conceito científico com o qual se busca inserir ou apoiar práticas especializadas num contexto suficientemente amplo para lhe garantir sua sobrevivência e continuidade.
Outro elemento que compõe a interação é o da dimensão da representação pública que abrange a socialização de entidades, instrumentos, alianças, de forma a criar um sistema de crenças e opiniões em comum levando a constituição de vínculos e nós, de conceitos e teorias.
O êxito de um projeto depende da articulação destes elementos, assim afirma Latour “para que essa rede comece a mentir, para que cesse de fazer referência – basta interromper sua expansão em qualquer um dos seus extremos, parar de incentivá-la, suspender seu financiamento ou rompê-la em outro ponto” (LATOUR, 2001, grifo nosso).


[i] Esta teoria é produto de um grupo de sociólogos associados incluindo Akrich, Callon, Law e Latour, dentre outros.

Um comentário:

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