Teoria Ator- Rede
A
teoria Ator-Rede[i]
nasceu na sociologia da ciência e da tecnologia e tem como argumento que o
conhecimento é um produto social, gerado através da operação ou do efeito de
uma rede de materiais heterogêneos. O “conhecimento” é a tradução da
justaposição de elementos heterogêneos que são organizados e ordenados. Consideram-se
como elementos heterogêneos padrões de diversos materiais e não apenas humanos
assim tubos de ensaio, reagentes, artigos, mãos habilidosas, outros cientistas,
terminais de computador, dentre outros – são justapostos numa rede heterogênea
e corporificados em várias formas de materiais.
A
concepção “Ator-rede” refere-se à interação de elementos humanos e não humanos
como também o argumento de que cada ator (humano ou não humano) também é uma
rede. Por exemplo, uma máquina é uma rede heterogênea formada por um conjunto
de papeis desempenhados por materiais técnicos e por componentes humanos tais
como, operadores, usuários e mantenedores.
Um
ator é sempre uma rede e uma organização, ou seja, é uma consequência, ou efeito
de uma rede heterogênea. Trata-se de uma sociologia relacional e orientada a
processos a qual trata agentes, organizações e máquinas como efeitos
interativos. Agentes humanos e não humanos se relacionam em um movimento de
continuidade e não de dualismo.
Do ponto de vista
metodológico a única maneira de
compreender a realidade dos estudos científicos, ou de uma organização é
acompanhar atores em ação. Para isso, é preciso prestar atenção aos detalhes das
práticas realizadas e a forma como são ordenadas e agrupadas.
Em relação à prática científica para a teoria ator-rede,
“A ciência é
um processo de engenharia heterogêneo no qual elementos do social, do técnico,
do conceitual e do textual são justapostos e convertidos para um conjunto de
produtos científicos”. (LAW, 2003)
No livro “A Esperança de Pandora”, LATOUR apresenta
elementos da interação que ocorre na construção de um objeto ou fato
científico, a saber: mobilização do mundo, autonomização, alianças e a dimensão
da representação pública. (LATOUR, 2001).
A de mobilização do mundo, o cientista faz com a utilização de
instrumentos, equipamentos (amostras, medidas, tipos, reações, agentes,
informações do mundo circundante). Atrelado a este, a autonomização na qual o
cientista encontra seus colegas, e trata do modo pela qual uma disciplina, uma
profissão ou um grupo de pesquisa se torna independente e engendra seus
próprios critérios de avaliação e relevância, trata-se da estruturação de uma
comunidade científica. Neste sentido, as alianças apresentam-se como elemento
importante na constituição do objeto ou conceito científico com o qual se busca
inserir ou apoiar práticas especializadas num contexto suficientemente amplo
para lhe garantir sua sobrevivência e continuidade.
Outro elemento que compõe a interação é o da dimensão da representação
pública que abrange a socialização de entidades, instrumentos, alianças, de
forma a criar um sistema de crenças e opiniões em comum levando a constituição
de vínculos e nós, de conceitos e teorias.
O êxito de um projeto depende da articulação destes elementos, assim
afirma Latour “para que essa rede comece a mentir, para que cesse de fazer
referência – basta interromper sua expansão em qualquer um dos seus
extremos, parar de incentivá-la, suspender seu financiamento ou rompê-la em
outro ponto” (LATOUR, 2001, grifo nosso).
[i] Esta teoria é produto de um grupo de sociólogos associados
incluindo Akrich, Callon, Law e Latour, dentre outros.
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