HIPERATIVIDADE –
O
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
(TDAH) é caracterizado por uma série de problemas
relacionados com: - falta de atenção
- hiperatividade
- impulsividade
Esses
problemas resultam de um desenvolvimento não adequado e causam
dificuldades na vida diária.
O
TDAH é um distúrbio bio-psicossocial, isto é,
parece haver fortes fatores genéticos, biológicos,
sociais e vivenciais que contribuem para a intensidade dos problemas
experimentados.
Foi
comprovado que o TDAH atinge 3% a 5% da população
durante toda a vida.
Apesar
da intensidade dos problemas experimentados pelos portadores do TDAH
variar de acordo com suas experiências de vida, está
claro que a genética é o fator básico na
determinação do aparecimento dos sintomas do TDAH.
A
maioria das crianças com TDAH chega à maturidade com um
padrão de problemas muito parecido aos da infância e
experimentam dificuldades no trabalho, na comunidade e com suas
famílias. Também há registros de um número
maior de problemas emocionais, incluindo depressão e
ansiedade.
Em
1902, pesquisadores descreveram pela primeira vez as características
dos problemas de impulsividade, falta de atenção e
hiperatividade apresentados por crianças com TDAH.
O
Problema
O
TDAH interfere na habilidade de:
- manter a atenção - especialmente em tarefas repetitivas
- controlar adequadamente as emoções e o nível de atividade
- enfrentar conseqüências consistentemente
- controlar a inibição – (autocontrole)
As
pessoas com TDAH até podem saber o que deve ser feito, mas não
conseguem fazer aquilo que sabem devido à inabilidade de
realmente poder parar e pensar antes de reagir, não importando
o ambiente ou a tarefa.
As
características do TDAH aparecem bem cedo para a maioria das
pessoas, logo na primeira infância. O distúrbio é
caracterizado por comportamentos crônicos, com duração
de no mínimo 6 meses, que se instalam definitivamente antes
dos 7 anos.
Classificação
Atualmente,
4 subtipos de TDAH foram classificados:
1.
TDAH - tipo desatento - a pessoa apresenta, pelo menos, seis das
seguintes características:
- Não enxerga detalhes ou faz erros por falta de cuidado.
- Dificuldade em manter a atenção.
- Parece não ouvir.
- Dificuldade em seguir instruções.
- Dificuldade na organização.
- Evita/não gosta de tarefas que exigem um esforço mental prolongado.
- Freqüentemente perde os objetos necessários para uma atividade.
- Distrai-se com facilidade.
- Esquecimento nas atividades diárias.
2.
TDAH - tipo hiperativo/impulsivo - é definido se a pessoa
apresenta seis das seguintes características:
- Inquietação, mexendo as mãos e os pés ou se remexendo na cadeira.
- Dificuldade em permanecer sentada.
- Corre sem destino ou sobe nas coisas excessivamente (em adultos, há um sentimento subjetivo de inquietação).
- Dificuldade em engajar-se numa atividade silenciosamente.
- Fala excessivamente.
- Responde a perguntas antes delas serem formuladas.
- Age como se fosse movida a motor.
- Dificuldade em esperar sua vez.
- Interrompe e se intromete.
3.
TDAH - tipo combinado - é caracterizado pela pessoa que
apresenta os dois conjuntos de critérios dos tipos desatento e
hiperativo/impulsivo.
4.
TDAH - tipo não específico; a pessoa apresenta algumas
características mas número insuficiente de sintomas
para chegar a um diagnóstico completo. Esses sintomas, no
entanto, desequilibram a vida diária.
Prejuízos
Na
idade escolar, crianças com TDAH apresentam:
- uma maior probabilidade de repetência
- evasão escolar
- baixo rendimento acadêmico
- dificuldades emocionais e de relacionamento social.
Supõe-se
que os sintomas do TDAH tornam as crianças vulneráveis
ao fracasso nas duas áreas mais importantes para um bom
desenvolvimento:
- a escola
- o relacionamento com os colegas.
O
TDAH é com freqüência apresentado, erroneamente,
como um tipo específico de problema de aprendizagem. Ao
contrário, é um distúrbio de realização.
Sabe-se que as crianças com TDAH são capazes de
aprender, mas têm dificuldade em se sair bem na escola devido
ao impacto que os sintomas do TDAH têm sobre uma boa atuação.
A
maioria dos adultos com TDAH apresenta sintomas muito similares aos
apresentados pelas crianças. São freqüentemente
inquietos, facilmente distraídos, lutam para conseguir manter
o nível de atenção, são impulsivos e
impacientes. Suas dificuldades em manejar situações de
“stress” levam a grandes demonstrações de emoção.
No ambiente de trabalho, é possível que não
consigam alcançar boa posição profissional ou
status compatível com sua educação familiar ou
habilidade intelectual.
O
tratamento de crianças com TDAH exige um esforço
coordenado entre os profissionais das áreas médica,
saúde mental e pedagógica, em conjunto com os pais.
Esta combinação de tratamentos oferecidos por diversas
fontes é denominada de intervenção
multidisciplinar. Um tratamento com esse tipo de abordagem inclui:
- treinamento dos pais quanto à verdadeira natureza do TDAH e em desenvolvimento de estratégias de controle efetivo do comportamento;
- um programa pedagógico adequado;
- aconselhamento individual e familiar, quando necessário, para evitar o aumento de conflitos na família;
- uso de medicação, quando necessário.
Medicação
Apesar
do tratamento do TDAH ser multimodal,
ou seja, uma combinação de medicamentos, orientação
aos pais e professores, além de técnicas específicas
que são ensinadas ao portador, a medicação
constitui-se uma parte muito importante do tratamento.
Os
medicamentos mais utilizados para o controle dos sintomas do TDAH são
os psicoestimulantes; 70% a 80% das crianças e dos adultos com
TDAH apresentam uma resposta positiva. Esse tipo de medicamento é
considerado “performance enhancer”. Portanto, eles podem, até
certo ponto, estimular a performance de todas as pessoas. Mas, em
razão do problema específico que apresentam, crianças
com TDAH apresentam uma melhora dramática, com redução
do comportamento impulsivo e hiperativo e aumento da capacidade de
atenção.
A
Ritalina (metilfenidato) é a alternativa medicamentosa mais
comum para TDAH e hiperatividade.
Sugestões
para Intervenções do Professor
Há
uma grande variedade de intervenções específicas
que o professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se
ajustar melhor à sala de aula:
- Proporcionar estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente definidas)
- Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo.
- Encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente. Dar responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se sintam necessárias e valorizadas. Começar com tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas.
- Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de maneira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude.
- Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno.
- Proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favorecer oportunidades sociais. Grande parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos pequenos.
- Comunicar-se com os pais. Geralmente, eles sabem o que funciona melhor para o seu filho.
- Ir devagar com o trabalho. Doze tarefas de 5 minutos; cada uma traz melhores resultados do que duas tarefas de meia hora. Mudar o ritmo ou o tipo de tarefa com freqüência elimina a necessidade de ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar a auto-percepção.
- Favorecer oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria, levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou dar de comer ao mascote da classe.
- Adaptar suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo, se o aluno tem um tempo de atenção muito curto, não esperar que ele se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período da aula.
- Recompensar os esforços, a persistência e o comportamento bem sucedido ou bem planejado.
- Proporcionar exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. Avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante.
- Favorecer freqüente contato aluno/professor. Isto permite um “controle” extra sobre a criança com TDAH, ajuda-a a começar e continuar a tarefa, permite um auxílio adicional e mais significativo, além de possibilitar oportunidades de reforço positivo e incentivo para um comportamento mais adequado.
- Colocar limites claros e objetivos; ter uma atitude disciplinar equilibrada e proporcionar avaliação freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado.
- Assegurar que as instruções sejam claras, simples e dadas uma de cada vez, com um mínimo de distrações.
- Evitar segregar a criança que talvez precise de um canto isolado com biombo para diminuir o apelo das distrações; fazer do canto um lugar de recompensa para atividades bem feitas em vez de um lugar de castigo.
- Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.
- Estabelecer intervalos previsíveis de períodos sem trabalho que a criança pode ganhar como recompensa por esforço feito. Isso ajuda a aumentar o tempo da atenção concentrada e o controle da impulsividade através de um processo gradual de treinamento.
- Reparar se a criança se isola durante situações recreativas barulhentas. Isso pode ser um sinal de dificuldades de coordenação ou auditivas que exigem uma intervenção adicional.
- Preparar com antecedência a criança para as novas situações. Ela é muito sensível em relação às suas deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.
- Desenvolver métodos variados utilizando apelos sensoriais diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as novas experiências envolvem uma miríade de sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), esse aluno provavelmente irá precisar de tempo extra para completar sua tarefa.
- Não ser mártir! Reconhecer os limites da sua tolerância e modificar o programa da criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável. O fato de fazer mais do que realmente quer fazer traz ressentimento e frustração.
- Permanecer em comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola. Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.
Fonte:
GOLDSTEIN,
Sam. Compreensão, Avaliação e Atuação:
Uma Visão Geral sobre o TDAH. Disponível em:
http://www.hiperatividade.com.br/article.php?sid=14

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